O retorno às aulas pode ser um momento de ansiedade e resistência para muitas crianças — especialmente aquelas com autismo. Mudar novamente de ambiente, horários e estímulos exige preparo emocional e previsibilidade.
Para pais, mães e cuidadores de crianças com autismo nível 1 de suporte, que enfrentam desafios na mudança de rotina, o fim das férias pode ser particularmente delicado. Mas, com planejamento e carinho, é possível fazer essa transição escolar de forma tranquila, leve e, o mais importante, sem crises.
Ao longo do texto, abordamos o tema com cuidado. Acompanhe a leitura!
Por que a mudança de rotina causa resistência no autismo?
A resistência à mudança de rotina, muito comum no autismo nível 1, tem razões compreensíveis. Durante as férias, a criança se adapta a um ritmo mais flexível e a um ambiente familiar que oferece um senso de previsibilidade emocional e conforto. Esse período de relaxamento, muitas vezes com menos exigências sociais e sensoriais, cria um refúgio para ela.
A volta às aulas, por outro lado, implica em desafios significativos: novos horários, demandas sociais (interação com colegas e professores), adaptação a diferentes estímulos sensoriais (ruídos, luzes, cheiros da escola) e demandas cognitivas (atividades de aprendizado).
Mesmo crianças com autismo que necessitam de suporte leve podem apresentar crises ou comportamentos desafiadores diante de mudanças bruscas. A ausência de previsibilidade e o excesso de novidades pode desorganizar o mundo interno da criança, levando a reações de fuga ou luta.
Estratégias práticas para uma transição mais leve
Preparar a rotina pós-férias não precisa ser uma batalha. Com algumas estratégias, a resistência infantil pode ser significativamente reduzida:
Antecipe e converse
Comece a falar sobre o retorno à escola com alguns dias ou até semanas de antecedência. Use linguagem simples e visual para explicar o que vai acontecer. Mostre o calendário com os dias restantes para o retorno, riscando um dia por vez. Você pode dizer: “Faltam X dias para voltar para a escola. Que tal vermos a sua mochila?”
Reative a rotina aos poucos
Nos últimos 5 a 7 dias das férias, reintroduza gradualmente os horários de dormir, acordar e alimentação que serão semelhantes aos escolares. Faça “ensaios” da rotina: vista o uniforme por alguns minutos, prepare o lanche escolar juntos ou faça uma “ida simbólica” à porta da escola.
Essa prática permite que o corpo e a mente da criança se readaptem gradualmente. Um bom exemplo de como estruturar uma rotina pode ser encontrado nas práticas de Bolsoni-Silva & Falcão (2016), que enfatizam a importância da previsibilidade.
Envolva a criança nas escolhas
Permitir que a criança participe ativamente do processo fortalece o senso de controle e reduz o medo da mudança. Deixe-a escolher a mochila ou um novo estojo, organizar o material escolar junto com você ou montar o lanche para o primeiro dia.
Essa autonomia, mesmo em pequenas coisas, ajuda a criança a se sentir parte da decisão e não apenas “arrastada” para a nova rotina.
Ferramentas que ajudam no processo
Para crianças com autismo, o suporte visual é um aliado poderoso. Utilize um quadro de rotina visual com fotos ou pictogramas que representem as atividades do dia escolar (acordar, tomar café, escovar os dentes, ir para a escola, almoçar, brincar, etc.).
Livros ou vídeos sobre a volta às aulas também podem ajudar a familiarizar a criança com o ambiente e as expectativas. Além disso, brincadeiras que simulem o ambiente escolar (como brincar de “escolinha” com bonecos ou amigos) podem ser excelentes para praticar habilidades sociais e reduzir a ansiedade. Como Del Prette & Del Prette (2005) ressaltam, o treino de habilidades sociais é fundamental para o sucesso na interação.
Por que meu filho resiste ao retorno às aulas, mesmo tendo suporte leve? Ele se adaptou ao conforto e previsibilidade das férias, e a mudança brusca exige um reajuste sensorial e social significativo.
O que posso fazer para preparar a volta à rotina sem gerar crise? Antecipe, converse de forma visual, reintroduza a rotina gradual e envolva a criança nas escolhas. Como envolver a criança nesse processo de forma positiva? Dê a ela voz nas decisões, mesmo que pequenas, e utilize recursos visuais e brincadeiras que simulem a escola.
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